Guardiãs do Mar: mulheres da comunidade piscatória protegem as pradarias marinhas

 
 

As Guardiãs do Mar são mulheres da comunidade piscatória do estuário do Sado que colaboram com a Ocean Alive na proteção das pradarias marinhas. Hoje são 14. Têm um papel catalisador na transformação de comportamentos dos seus pares, necessária à eliminação das 3 ameaças que comunidade local coloca a este habitat: o lixo da mariscagem, as âncoras e a pesca destrutiva.

A Ocean Alive tem como meta beneficiar a alteração de comportamentos desenvolvendo um selo de certificação de boas práticas que irá proporcionar um rendimento acrescido na venda do peixe e marisco desta comunidade. 

 

As Guardiãs do Mar participam em todas as atividades da Ocean Alive. Através de um programa de capacitação, criámos novas profissões e funções que valorizam a sua sabedoria e história de vida e lhes conferem um rendimento complementar. As pescadoras são guias marinhas do programa educativo e experiências marinhas, são agentes de sensibilização da campanha Mariscar SEM Lixo e monitoras das pradarias marinhas com os cientistas (a iniciar em 2018).

 
 
 

Rostos das Guardiãs do Mar

 
 
  Cláudia Martins  Pescadora, Possanco. Compromisso voluntário na promoção de boas práticas.

Cláudia Martins Pescadora, Possanco. Compromisso voluntário na promoção de boas práticas.

  Dina Santos  Guarda de aquacultura, Faralhão. Agente de sensibilização da campanha “Mariscar SEM Lixo”.

Dina Santos Guarda de aquacultura, Faralhão. Agente de sensibilização da campanha “Mariscar SEM Lixo”.

  Fátima Ricardo  Pescadora, Carrasqueira. Compromisso voluntário na promoção de boas práticas.

Fátima Ricardo Pescadora, Carrasqueira. Compromisso voluntário na promoção de boas práticas.

  Helena Bravo  Pescadora, Carrasqueira. Compromisso voluntário na promoção de boas práticas.

Helena Bravo Pescadora, Carrasqueira. Compromisso voluntário na promoção de boas práticas.

 
  Maria Espada  Pescadora, Carrasqueira. Compromisso voluntário na promoção de boas práticas.

Maria Espada Pescadora, Carrasqueira. Compromisso voluntário na promoção de boas práticas.

  Marta Santos  Mariscadora, Fernando Pó. Agente de sensibilização da campanha “Mariscar SEM Lixo”.

Marta Santos Mariscadora, Fernando Pó. Agente de sensibilização da campanha
“Mariscar SEM Lixo”.

  Minda Neto  Mariscadora, Carrasqueira. Guia marinha no programa educativo da Ocean Alive.

Minda Neto Mariscadora, Carrasqueira. Guia marinha no programa educativo da Ocean Alive.

  Sandra Lázaro  Pescadora, Faralhão. Guia marinha no programa educativo da Ocean Alive.

Sandra Lázaro Pescadora, Faralhão. Guia marinha no programa educativo da Ocean Alive.

 
 

Pradarias marinhas: o terceiro habitat mais importante do planeta está em declínio

 
 
 

A Ocean Alive responde ao problema da degradação das pradarias marinhas do estuário do Sado. O decréscimo acentuado deste habitat levou à escassez da vida marinha contribuindo para o desemprego e desvalorização da comunidade piscatória, nomeadamente das mulheres pescadoras e para o declínio da população residente de golfinhos.

As pradarias marinhas são um habitat marinho constituído por plantas aquáticas rizomatosas (parecidas ao lírio) que vivem em águas costeiras (até a uma profundidade de 30m).

 
 © Diogo Paulo CCMAR

© Diogo Paulo CCMAR

 
 
 

São o terceiro ecossistema do nosso planeta com mais valor! Avaliado conservativamente em 17 000 euros por hectare por ano, o seu valor traduz-se em serviços que todos beneficiamos, como a produção de oxigénio e o armazenamento de carbono, superior a DUAS vezes ao de uma típica floresta terrestre; a protecção costeira e a depuração das águas, pela tomada de nutrientes; e sobretudo por ser um habitat que providencia abrigo, alimento e berço a uma gigantesca diversidade de vida marinha, incluindo espécies de peixes, crustáceos e cefalópodes que nós comemos, portanto com valor comercial e que são alimento para os golfinhos.

As pradarias marinhas são um habitat protegido e em declínio. As pradarias são protegidas na União Europeia através da Directiva Habitats. Um terço das pradarias marinhas do nosso planeta já desapareceram e encontram-se em declínio a uma taxa de dois campos de futebol por hora!

As principais ameaças das pradarias marinhas são a destruição das folhas e rizomas pelas âncoras e amarrações das embarcações e pela  apanha de pescado com técnicas de pesca invasivas (o arrasto de fundo, a ganchorra, o ancinho de mão e a apanha com escafandro autónomo),  o assoreamento causado pelas dragagens, a contaminação devido aos resíduos e aos esgotos urbanos, industriais e dos estaleiros navais, a eutrofização e a atrofiamento do crescimento pelos químicos agrícolas.

 
© Gustavo Figueiredo